quinta-feira, 5 de maio de 2016

PRESSUPOSTOS

Entre os fatores determinantes relacionados ao crescimento da criminalidade violenta no Brasil listam-se: a) a estrutura social e a desigualdade evidenciadas por meio de taxas de desemprego, baixa renda e analfabetismo; o difícil acesso aos serviços públicos, tais como hospitais, escolas, e justiça; as precárias condições de vida e a alta densidade domiciliar encontrada nas periferias dos municípios brasileiros e; b) o crescimento dos mercados ilícitos de drogas e armas, além da ampliação das redes de organizações criminosas.
            O uso e o tráfico de drogas constituem um grande problema para o Brasil, tanto da perspectiva da população como dos profissionais da área da segurança. No âmbito dos registros oficiais, as ocorrências de tráfico vêm aumentando significativamente.
            Sem exceção, todos os atores envolvidos, desde responsáveis por entidades da sociedade civil até representantes das Polícias Civil e Militar e das Guardas Municipais, identificaram como uma das principais causas de homicídio em nosso país o tráfico e o consumo de drogas. Segundo a percepção da população, tanto o uso como o tráfico estão presentes em várias localidades, escolas inclusive, envolvendo adolescentes e jovens e gerando insegurança aos moradores.
            Em situações mais específicas são muitos os casos de pessoas, principalmente jovens, que se iniciam no tráfico e terminam se envolvendo em outras atividades criminosas como assassinatos ou que ainda acabem por serem presos.
            Todavia, nunca é demais ressaltar que as favelas e bairros pobres estão muito longe de serem os únicos espaços que servem de suporte logístico para o tráfico de drogas de varejo, pois para além dos exageros e estigmas preconceituosos, não podemos perder de vista o papel dos espaços não-segregados, como apartamentos de classe média, o comércio de drogas que acontece em boates, bares, instituições de ensino e também nos centros urbanos das cidades brasileiras. Outra observação não menos importante, é que muitas vezes onde se verifica a existência do comércio de drogas, estes localizam-se quase sempre, perto ou encravados em bairros de classe média, o que significa uma proximidade e facilidade a este mercado consumidor e explica a rentabilidade que a venda de drogas adquire nas cidades.
            Em nosso país são muitas as instituições que coletam informação sobre violência e criminalidade, entre as quais destacam-se as instituições policiais e as instituições de saúde que prestam atendimento às vítimas. Estas informações, quando coletadas rotineiramente e de forma padronizada, constituem-se em fontes valiosas para o planejamento estratégico e construção de ações conjuntas em matéria de segurança pública. No entanto, a investigação da violência e criminalidade na grande maioria dos municípios brasileiros revelaram inúmeras falhas nos sistemas de coleta, processamento, análise e disponibilização dessas informações, além da total ausência de articulação entre os diversos atores, e o desconhecimento do trabalho recíproco. Assim, acreditamos que a tarefa de criação de bancos de dados padronizados e integrados, tanto de ocorrências como de programas, pode ser um passo importante de ação contra a violência e a criminalidade em todo o país.
            Esta é, contudo, uma tarefa delicada, pois envolve uma articulação multissetorial de diferentes esferas do poder público e da sociedade civil. Para a articulação desses atores, faz-se necessário a criação ou a efetivação de fóruns de integração entre eles, a exemplo do Gabinete de Gestão Integrada que reúne as instituições de segurança pública e justiça criminal das três esferas de governo e cuja missão é identificar oportunidades e alternativas de ações conjuntas que reflitam diretamente na melhoria da segurança pública a partir da prevenção e repressão ao crime e à violência.
            A realização de um plano de segurança realmente eficaz, pode tanto partir destes fóruns já existentes, aperfeiçoando-os, como criar novas formas instâncias de deliberação sujeitas aos mesmos desafios. É necessário também apoiar novas pesquisas na área, particularmente no que se refere às causas, consequências, custos e indicadores de avaliação de políticas públicas.

            

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